domingo, 18 de março de 2012

Letramento e Alfabetização: As Muitas Facetas

No texto letramento e alfabetização: as muitas facetas, a autora destaca as diferenças entre países distantes mais com a mesma necessidade de reconhecer a leitura e a escrita como algo além dessa capacidade do simples ato de ler e escrever. Relata ainda a desinvenção da alfabetização especificadamente no Brasil, e aponta o fracasso na aprendizagem como principal fator. Soares enfatiza a “curvatura da vara” ou a metáfora do “pêndulo” como ponto para explicar que o letramento é aprender a ler e a escrever e é aprender a construir sentido para e por textos escritos. Por que a necessidade de diferenciar alfabetização de letramento, se as duas estão interligas? De certo modo não pode existir letramento sem alfabetização, e o processo de evolução da alfabetização é o letramento. A preocupação de grandes países eram saber se quem dizia ler e escrever, era capaz de raciocinar e colocar em ordem as ideias apresentadas no texto. Houve a necessidade de diferencia-se a alfabetização de letramento para que assim, houvesse como trabalhar melhor, pois, constatado em países de primeiro mundo que grande parte da população, embora soubesse ler, não tinham o domínio das habilidades de leitura e escritas fundamentais para as práticas sociais que englobam a linguagem escrita. E se por um lado na França a grande parte da população domina o sistema da escrita, o processo de alfabetização acontece, e esta voltado para trabalhadores e imigrantes na língua francesa, por outro lado nos Estados Unidos o foco do letramento se dirigia a estudantes das grandes escolas que não dominavam as praticas do letramento, e o grande problema não estava no não saber ler e escrever, estava na falta de competência para usar a leitura e a escrita. Enquanto no Brasil alfabetização e letramento ainda se fundiam, mesmo a primeira explicitando as suas especificidades. Considerava-se alfabetizado aquele que soubesse ler e escrever, mas com o tempo seria quem fosse capaz de ler e escrever um bilhete, embora pouco mas existia uma leve diferença entre as duas, possibilitando assim distinguir alfabetizados de letrados, de forma que o segundo já tinha condições de fazer uso da leitura e escrita. Nas escolas brasileiras a alfabetização se traduz em altíssimos índices de desempenhos ruins ou quase nulos quando se aplica provas de leituras, expondo assim alunos que passaram por seis ou oito anos na escola e mesmo assim são considerados não alfabetizados ou semialfabetizados, e dessa forma o fracasso escolar se pode atribuir as perdas das especificidades diretas da alfabetização, ou seja, trabalhou-se por muito tempo apenas a linguagem escrita, deixando de lado a leitura. Grande parte desse problema esta na forma como o material para “aprender a ler” é colocado na sala de aula, colocando a criança como um produto pronto para a alfabetização, ao passo que se fosse trabalhado alfabetização e letramento no mesmo processo, lado a lado, colocaria nas mãos da criança um material “para ler”, e assim a mesma, aos poucos construiria o conhecimento, pois existiria uma interação com língua escrita a ao mesmo tempo com a leitura. Nesse paralelo entre Brasil, Estados Unidos e França, se afirma a necessidade de reinventar a alfabetização para que possa haver essa ligação direta entre escrita e leitura, possibilitando assim a necessidade de introduzir a língua escrita como objeto direto de ensino. Grande erro seria separar letramento de alfabetização, pois os dois entrelaçam-se no processo de entrada no mundo da leitura e escrita. Soares cita Ferreiro como opositora da necessidade de existir duas vertentes tão parecidas ao ponto de se confundirem as vezes no processo educacional, “uma vez que uma estar contida dentro da outra”(Emília Ferreiro, revista nova escola, ano XVIII, n.162). Essas multes facetas como a imersão na cultura escrita, diferentes tipos e gêneros de material escrito, habilidades de decodificação e decodificação de língua escrita, segundo Soares, se fosse permitida as crianças, não haveria um grande e precário resultado de uma má aprendizagem nas series iniciais se estendendo ate o ensino médio , provocando uma seria reflexão de se trabalhar a alfabetização simultaneamente com o letramento. A autora finaliza o texto explicitando de forma clara a fundamental necessidade de fazer essa interação entre alfabetizar e letrar, sendo que cada uma com suas especificidades, mas que não podem agir de forma isolada, como se cada uma tivesse uma vertente e um interesse particular no processo educacional, e uma vez que a alfabetização é uma aquisição e apropriação do sistema da escrita e o letramento é desenvolvimento das habilidades de uso da leitura e escrita, e se ambas convergem para um mesmo paralelo, não pode existir separadas. Concordo com Soares, quanto a urgência de uma grande parte de educadores descobrirem quão grande é a importância de se trabalhar a alfabetização e o letramento em detrimento da renovação ou reinvenção da educação no Brasil, alfabetizar não pode se desassociar nem tão pouco estar sendo trabalhada em formar somente de leitura, assim como o letramento não pode ser trabalhado posteriormente a alfabetização, essa falta de conhecimento dos professores levou a um fracasso escolar gritante na educação brasileira. Mesmo que alfabetizar e letrar tenha suas especificidades, e sendo elas tão parecidas ao ponto de chegar a confundir até os professores que a muito estão na sala de aula, não podemos dissocia-los, segregar as especificidades de uma em detrimento do crescimento do outra, os dois pontos trabalhados por Soares tem suas facetas bem explicitas a ponto de não existir dúvida sobre o que é letrar e o que é alfabetizar, mesmo assim não podemos dizer que profissionais da educação estão trabalhando os dois ao mesmo tempo, prova disto são os altos índices de repetência, fracasso escolar e evasão, além de um grande número de semialfabetizados, e não um grande número de pessoas que saibam ler e argumentar o que estão lendo. Esse texto é indicado aos acadêmicos de licenciatura, professores atuantes nas salas de aulas, formadores na área educacional, gestores escolares, e profissionais afins ligados direto e indiretamente com a educação.
Resenhado por Francisco das Chagas Marques Silva de Assis, acadêmico do VI bloco de Pedagogia da Universidade Estadual do Piauí-UESPI, Parnaíba-PI.(SOARES, Magda, Letramento e alfabetização: as muitas facetas, 2003.)

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